As borboletas se amarram
Ao infindável do vento
E comem as cordas de sol
Que ressurgem em suas costas.
Que ressurgem como pétalas criadas
Por dedos que se esvoaçam
No canto dum bem-te-vi
Ou nas cores de qualquer infância grávida.
Ian Viana, 24 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cílios
Os teus cílios me guardam,
assim como o café que vela,
numa grávida chávena,
as minhas madrugadas
de lide literária.
Ian Viana, 01 de outubro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Pintura
No Saco, o mar anda colecionando
Postes, arames e figuras de céu.
O vento, lá, discursa arrebóis
E anedotas,
Enquanto a água bebe
Vagarosa
O mar.
As pedras, elas embaraçam o riso
Dessa mesma sedenta água
(Agora ejetada, una, lúcida – alada)
E o sol, que tem por predileto o beijo
Da enseada,
Lentamente galga a metálica escada
Do lusco-fusco...
Aí se acaba o compromisso das gaivotas
E as nossas pálpebras abraçam
O decalque de imagens registradas
A guache:
A fotografia a alma invade
Depois de abertas as comportas
Da tesa saudade.
Ian Viana, 02 de outubro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Haicai em Branco
Hoje despintei nenhuma poesia.
Apenas rabisquei a parede
Com o incolor do dedo.
Ian Viana, 04 de outubro de 2011
Apenas rabisquei a parede
Com o incolor do dedo.
Ian Viana, 04 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
Após um Sonho Manoelesco
(Muito humildemente ao mestre Manoel de Barros)
O meu sono carece de concentração.
A toda hora o sol apita querendo exibir o seu halo
Impossível de divisar.
Hoje mesmo ele inventou de fazer
Dissertação de luz em minha testa.
Apesar das minhas pálpebras usarem cobre,
Tive que assumir os apetrechos de ver.
A luz, sem pestanejar,
Gozou uma glória em meus lençóis.
Ian Viana, 04 de outubro de 2011
O meu sono carece de concentração.
A toda hora o sol apita querendo exibir o seu halo
Impossível de divisar.
Hoje mesmo ele inventou de fazer
Dissertação de luz em minha testa.
Apesar das minhas pálpebras usarem cobre,
Tive que assumir os apetrechos de ver.
A luz, sem pestanejar,
Gozou uma glória em meus lençóis.
Ian Viana, 04 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Nu Ocaso
Não se pode preterir a infância das árvores
Nem desflorar o canto nos olhos das aves.
Muito menos tornar tíbio os timbais das cigarras
Ou o queixume do crepúsculo que se vai,
Pois a tarde veloz, numa só cortês voz,
Inventa a boniteza das coisas
Numa coleção gradual descomunal de espantos.
Ian Viana, 10 de agosto de 2011
Nem desflorar o canto nos olhos das aves.
Muito menos tornar tíbio os timbais das cigarras
Ou o queixume do crepúsculo que se vai,
Pois a tarde veloz, numa só cortês voz,
Inventa a boniteza das coisas
Numa coleção gradual descomunal de espantos.
Ian Viana, 10 de agosto de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
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